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04/03/2004

O Futuro dos Blogs (1)... 

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Qual é o futuro dos blogues portugueses sobre Enfermagem?

Esta é uma questão que me preocupa, sendo eu parte deste conjunto de espaços Web, onde enfermeiros comuns escrevem sobre as suas ideias, valores, curiosidades, dúvidas. Olhando para o passado recente, no início de Dezembro de 2003, lembro-me da minha incredulidade ao verificar a quase inexistência de blogues sobre Enfermagem, havendo só na Internet referências a blogues brasileiros de estudantes de enfermagem, em que essa era única sugestão à profissão, não diferindo de outros blogs da cultura "juvenil", com referências a filmes, música e outros gostos pessoais dos seus autores. Podem imaginar a minha desilusão!

Mas, como enfermeiro, estou habituado a "desenrascar-me", a aproveitar as condições que me são oferecidas, pelo que mesmo assim avancei com este desafio que impûs a mim próprio. Seria capaz de desenvolver algo que outras pessoas quereriam ler?

Para início de conversa, porquê criar um blog ao invés de uma página Web normal, daquelas que são oferecidas pelos servidores Web como o Sapo, o Clix, a Oni, entre outros?

A resposta resultou de uma forma natural. As páginas Web são de difícil criação para quem não têm experiência (os modelos de folhas de estilo exigem alguns conhecimentos sobre HTML, e as feitas com a maioria de tutores fornecidos pelos servidores são de gosto discutível), além de que uma página Web aparece como um trabalho já feito, acabado, só com pontuais actualizações, portanto um produto muito completo e bem estruturado.

Não era nada disto que eu queria fazer, pois não me considero com conhecimentos suficientes para achar que posso publicar uma página com estas caracteristicas sobre Enfermagem. Pelo contrário, tenho muitas dúvidas, fruto das diversas reflexões sobre esta profissão. Das poucas certezas que tenho, é que existem muitos mais a preocuparem-se igualmente, com os mesmos temas.

Os Blogues permitem pela sua estrutura de fácil actualização, pôr na Net de uma forma rápida, ideias e opiniões, agrupadas cronologicamente, com um sistema de arquivo. Se me permitirem a comparação com os suportes escritos, as páginas web normais são o equivalente a livros, enquanto os blogs são como os jornais e as revistas. Adicionalmente, a maioria dos servidores permitem ferramentas que estimulam a interactividade, como o acesso a comentários e a estatísticas das visitas recebidas. Pareceu-me esta a opção correcta e o tempo tem vindo a comprovar esta escolha.

Desta forma tenho vindo a escrever sobre algumas ideias minhas, assim como tenho tentado chamar a atenção para outras páginas de que gostei, referindo-as em artigos e criando links para elas. Foi com alguma supresa inícial, mas também com manifesta satisfação, que fui descobrindo outros blogs portugueses sobre Enfermagem. É certo, que estes blogs são projectos diferentes com artigos específicos, privilegiando uns a divulgação ciêntifica, outros o papel social da Enfermagem e o Sindicalismo, outros a ironia e a crítica, por vezes nem sempre construtiva, atítude em que não me revejo.

O certo é que estes diferentes blogues evoluiram para o que se chama na Net de "Web Rings", conceito que exprime um conjunto de páginas Web ligadas entre si por hiperligações, formando uma rede de interacções. Estamos assim, muito próximos dos aspectos fundamentais que caracterizam uma comunidade, neste caso uma comunidade na Net.

Isto levanta algumas implicações importantes, que gostaria de salientar:

1º - O anonimato dos autores e dos comentadores. O anonimato sempre foi garante de autores (repare-se nos pseudónimos de tantos escritores), dando liberdade de expressão a quem de outra forma não o faria. No entanto, o anonimato também
protege os caluniadores, as pessoas que escrevem comentários usando o nome e endereço de outras (o que é possivel), retirando credibilidade a quem se esforça por tentar passar uma imagem construtiva. Não estando nós separados do resto da Net, esta situação que infelizmente é comum, pode também se tornar frequente nas nossas páginas. Não quero com isto dizer que quem quer manter o anonimato, não tenha o direito de o fazer! Mas todos devemos estar conscientes deste facto, não o esquecendo. Pela minha parte, vou estar atento a estas situações. Ainda fiz a opção pessoal, de responder neste blog pelo meu nome. Também não tenho qualquer problema em assumir tudo aquilo que escrevi. Os meus amigos e conhecidos sabem que escrevo neste blog, pois eu próprio lhes facultei o endereço.

2º - O número de visitas.Pode ser lesivo para o nosso Ego, mas ainda somos vistos por um conjunto ínfimo de leitores. Nas páginas Web normais, um visitante ao consultar uma página, só a volta a consultar, provavelmente, muito tempo depois. Isto não acontece nos blogues, em que é natural que um leitor consulte as páginas da sua predilecção, com uma regularidade de pelo menos uma vez por semana. Assim, blogs com muitas visitas podem não significar um leque alargado de leitores. É ainda natural que se criem preferências, que tendem a fazer parte dos mesmos "Web Rings". Formam-se assim círculos fechados, pouco receptivos ao exterior. A inexistência de listas activas dos blogs portugueses, prejudica a divulgação destes espaços junto de potenciais interessados. É certo, que é sempre possivel ter novos leitores através dos motores de busca, mas muitos internautas não sabem melhorar a sua utilização, tendo que percorrer milhares de endereços, até encontrar páginas que correspondam ás suas expectativas. Ainda para a grande maioria dos Enfermeiros, a Internet é uma miragem, não a tendo, não a utilizando, nem compreendendo a sua necessidade.

3º - A influência dos artigos.Tem sido com alguma surpresa, que tenho observado alguma apreensão de algumas pessoas, sobre os conteúdos dos blogs. Os blogs representam a oportunidade de o enfermeiro comum (ou dito como tal) manifestar as suas opiniões, que sendo próprias, não têm que representar as ideias dos representantes efectivos da classe, sejam estes a Ordem ou os Sindicatos que os possam representar. É obvio que pode haver um apelo ao populismo em determinadas situações, mas de uma vez por todas, têm que ser assumido que os Enfermeiros, na sua totalidade, são responsáveis para decidir se concordam ou não com determinada posição mais polémica. Se houver comentários que possam ser discutíveis, estes são reflexos do nosso "Portugal português". Cabe a todos contribuir para essas discussões, valorizando o que é bom, criticando o que está mal (sem cair na crítica vulgar e na ofensa pessoal), sugerindo soluções no que pode ser melhorado. A Unidade não pode ser confundida com Passividade, sob pena de perder-se determinação no nosso Papel Social. Claro que quem quer partilhar uma mensagem, deve fazê-lo bem mas, não só quem escreve bem ou estuda mais deve ter um blog ou fazer um comentário! Esta forma de censura, contraria toda a razão de ser dos blogues. Claro que quanto melhores os artigos ou comentários, mais construtivos serão os resultados. Logo, as pessoas de referência na profissão poderiam aproveitar este exemplo, para através de novos blogues, ou de comentários nos existentes, vincularem junto da sociedade os seus pontos de vista. Seriam efectivamente, muito Bem Vindos!

Estas três considerações, são aspectos que, entre outros, me preocupam. Se não forem fruto de meditação por parte dos blogueiros, receio que os Blogues sejam mais uma Moda que caia no esquecimento, sem repercussões de maior. Terminando os Cursos de Complemento de Formação de Enfermagem em 2006 (não há garantias que continuem posteriormente...), os Enfermeiros perdem outra oportunidade de discutirem entre pares, independentemente do serviço, hospital, opção sindical ou local de residência.

Agradeço a paciência de quem me leu até ao fim...
Aguardo os vossos comentários.

Com Amizade, Carlos.

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